Clubes ainda não têm estratégias eficazes de marketing
By leonardo at janeiro 25, 2012 | 11:06 | Print
Foi-se o tempo em que a paixão por um clube de futebol se resumia a ir ao estádio ou juntar os amigos em frente à TV para assistir aquela partida imperdível com uma camiseta surrada. Hoje o torcedor fiel tem camiseta oficial, agasalho, chinelo, capinha para celular e até roupa para cachorro. Tudo para ir ao estádio bem uniformizado na sua cadeira de sócio torcedor. O único problema é que o nome do jogador agora divide espaço com outros nomes, os dos patrocinadores, na camisa oficial.
“O Brasil ainda está na Idade da Pedra no marketing de futebol”, diz Amir Somoggi.
O grande crescimento dos clubes como marca começou por volta da década de 1990, mas foi nos últimos anos que esse mercado mostrou a que veio. De acordo com estudos da consultoria BDO RCS, o mercado da bola superou R$ 2,18 bilhões em receitas no ano de 2010 no Brasil. E a previsão para 2012 é que essa receita seja ainda maior, por conta da renegociação do contrato de direito de imagem com a Rede Globo. As vendas de direitos de imagem para televisão representam 28% da receita total gerada em 2010, superando outros fatores como venda de jogadores, patrocínio e publicidade, e bilheteria.
Inspiração Europeia
Ainda que as cifras pareçam expressivas no mundo do futebol, os especialistas são unânimes: o Brasil ainda caminha a passos muito lentos na evolução do marketing de futebol. “A grande maioria dos clubes nacionais são apenas marcas locais, cuja força se baseia na compra e venda de atletas de renome e algum impacto televisivo nacional”, como afirma Mark Pinheiro, diretor executivo da Premier Group, empresa de marketing esportivo.
Amir Somoggi, diretor da consultoria esportiva BDO, vai além. Para ele, os clubes devem atuar como marcas globais, buscar patrocinadores globais nas suas camisas, com foco não só na Copa que está aí, mas na internacionalização de seu faturamento. “Não se trata de um time com títulos, de campeonatos. O Real Madrid não ganha um título há muito tempo, mas continua sendo um dos clubes que mais fatura em todo mundo. Isso porque o conceito que eles trabalham não é o de ‘vamos ser campeões’, mas sim de ‘se envolva, seja mais um dos nossos’” exemplifica Somoggi.
Outra crítica que o diretor da consultoria esportiva faz é quanto à relação dos clubes com seus patrocinadores: “os clubes ainda não sabem trabalhar com seus patrocinadores como aliados. Aqui, uma marca paga para estar na camisa apenas para aparecer na Globo. Na Europa, muitos patrocinadores nem sequer aparecem na camisa do time, mas investem em ações em que ganham para alavancar seus negócios”.
Perspectivas para o futuro
Na visão de Mark Pinheiro, as dificuldades enfrentadas para seguir os passos dos grandes times da Europa não vêm apenas dos clubes, mas são intrínsecas a nossa cultura, em especial ao pensamento de que o futebol é uma entidade social e que, por isso, tem que ser barato e acessível a toda população.
“Infelizmente, o futebol é extremamente caro para ser gerido e se as torcidas querem times que de fato disputem campeonatos, esse custo tem que ser rateado entre direitos de TV, patrocínios e torcida, seja através de programas de sócios, seja através da venda de ingressos e a preços condizentes. Não se faz futebol de ponta com ingressos a R$ 10“, conclui Pinheiro.
Fonte: http://contafio.com.br/marketing-propaganda/marketing/marketing-esportivo-127.html

